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    Home»Mundo»Israel atacou 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias de guerra
    Mundo

    Israel atacou 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias de guerra

    Lucas Pordeus Leon - Reporter da Agencia BrasilFonte: Lucas Pordeus Leon - Reporter da Agencia Brasil17 de abril de 2026Nenhum comentário
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    Israel atacou 129 unidades de saúde no Líbano em 45 dias de guerra
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    Os bombardeios de Israel contra o Líbano danificaram 129 unidades de saúde libanesas, com 100 profissionais de saúde assassinados e 233 feridos. O Ministério da Saúde do país ainda informou que 116 ambulâncias foram bombardeadas e seis hospitais precisaram ser fechados.

    “Esses incidentes constituem uma grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde”, diz comunicado do escritório da Organização das Nações Unidas (ONU) de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) no Líbano.

    O ataque contra infraestruturas civis e de saúde é considerado crime de guerra. Israel vinha ameaçando unidades de saúde alegando que elas eram usadas pelo Hezbollah. Organizações de direitos humanos questionam as acusações. 

    Um aviso para evacuar dois hospitais em Beirute preocupou a Organização Mundial de Saúde (OMS).  

    17/04/2026 - Uma das 116 ambulâncias destruídas por ataques israelenses. ONU alerta que esses incidentes são grave violação do direito internacional humanitário e comprometem seriamente o acesso da população aos serviços de saúde. Foto: Defesa Civil do Líbano 

    Uma das 116 ambulâncias destruídas por ataques israelenses – Foto: Defesa Civil do Líbano 

    Os 45 dias de conflitos tiraram a vida de 2.294 pessoas e deixou outros 7,5 mil feridos, sendo, pelo menos, 177 crianças mortas e 704 feridas, segundo cálculos provisórios do Ministério da Saúde libanês divulgados nesta sexta-feira (17).

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    Estima-se ainda que, pelo menos, sete jornalistas foram alvos de ataques israelenses nessa fase da guerra no Líbano. 

    O Conselho Nacional de Pesquisa Científica do Líbano (CNRS) calculou que 37,8 mil unidades habitacionais foram destruídas até o dia 12 de abril, quatro dias antes do cessar-fogo. A maior parte da destruição foi nos subúrbios da capital, Beirute.

    “Isso representa aproximadamente 16% do total dos danos registrados durante as fases anteriores da guerra. Esses números destacam uma rápida intensificação da destruição, com uma proporção significativa dos danos cumulativos da guerra ocorrendo em um período muito curto”, diz o CNRS.   

    No primeiro dia do cessar-fogo no Irã, Israel lançou um ataque massivo com o Líbano, em especial contra os subúrbios densamente povoados e áreas centrais da capital, causando a morte de mais de 300 pessoas em cerca de 10 minutos de bombardeios.  

    O jornalista e especialista em geopolítica Anwar Assi, que conhece as regiões bombardeadas em Beirute, destacou à Agência Brasil que são áreas civis.

    “Essa área é 100% civil. Mesmo os escritórios do Hezbollah são escritórios civis. Ou seja, pela lei internacional, não podem ser atacados. O subúrbio de Beirute não é uma área militarizada. Não tinha porquê bombardear aquelas áreas”, afirmou.

    Com família no Líbano, Assi disse que as alegações de Israel de que tinham foguetes naquela região não são verdadeiras.

    “Isso dá para ver pelos prédios destruídos, que lá não tinha foguete. O único motivo dos ataques foi para forçar o deslocamento dos moradores e criar uma pressão em cima da sociedade libanesa”, afirmou.

    Mais de 1,2 milhão de pessoas foram deslocadas em decorrência de ordens de deslocamento em massa que abrangem cerca de 15% do país, segundo dados do Ocha.  

    Para o especialista, o objetivo de Tel Aviv é criar milhares de deslocados que venham se voltar contra o Hezbollah. 

    “Mas isso não está acontecendo, a maioria apoia a resistência. Mesmo os críticos do Hezbollah têm rejeitado uma guerra civil contra o grupo”, acrescentou.

    O presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, reafirmou nesta sexta-feira que a unidade nacional e a paz civil são “uma linha vermelha” que não deve ser cruzada sob nenhuma circunstância, alertando que miná-las serve aos objetivos de Israel, segundo a Agência Nacional de Notícias do país.

    Israel alega que ataca infraestrutura militar do Hezbollah, acusando ainda o grupo de usar infraestrutura civil para fins militares, o que é negado pela organização xiita. 

    17/04/2026 -  Israel bombardeou a última ponte que restava sobre o Rio Litano, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região ao Sul do resto do país, impedindo a conexão entre as cidades de Tiro e Sidon. . Foto: Defesa Civil do Líbano 

    Israel bombardeou a última ponte que restava sobre o Rio Litano, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região ao sul do resto do país – Foto: Defesa Civil do Líbano 

    Sul do Líbano

    O governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que a operação no sul do Líbano busca criar uma zona despovoada até o Rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira entre os dois países. 

    Na quinta-feira (16), Netanyahu informou que estava tentando tomar a cidade de Bent Jbeil, de 30 mil habitantes.

    Em março, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, disse que não permitiram que as milhares de pessoas que fugiram do sul do Líbano retornassem às suas casas ao sul do Rio Litani. 

    O deslocamento forçado de população civil é considerado outro crime de guerra.

    No último dia antes do cessar-fogo, Israel bombardeou a última ponte que restava sobre o Rio Litani, a Ponte de Qasmiyeh, isolando a região ao sul do resto do país e impedindo a conexão entre as cidades de Tiro e Sidon. Em resposta, foi construída uma ponte provisória para permitir o retorno dos moradores.

    Brasília (DF), 20/03/2026 - FOTO DE ARQUIVO - Hussein Melhem, libanês naturalizado brasileiro, com sua esposa Cláudia Martins e filhas. Vivia na cidade de Tiro (ou Tyre), no litoral sul do Líbano. Foto: Hussein Melhem/Arquivo Pessoal

    Hussein Melhem e família se deslocou para a região metropolitana de Beirute e não sabe ainda quando poderá voltar para Tiro – Foto: Hussein Melhem/Arquivo Pessoal

    O libanês-brasileiro Hussein Melhem, de 45 anos, morava com a família na cidade de Tiro (ou Tyre) até a recente fase da guerra começar no dia 2 de março. Ele se deslocou para a região metropolitana de Beirute e não sabe ainda quando poderá voltar para Tiro.  

    “Quero voltar esta semana, mas tem que diminuir a fila um pouco porque está uma luta para voltar ao sul, tem muita gente”, disse, acrescentando que não está seguro de que a trégua possa durar. 

    “É preciso aguardar os próximos desdobramentos”.

    O especialista em geopolítica Anwar Assi afirmou à Agência Brasil que as ações de Israel no sul do Líbano configuram uma limpeza étnica para expulsar os moradores da região e tomar esses territórios.

    “O objetivo principal da guerra é a expulsão das pessoas do sul do Líbano. Por isso que eles destruíram escolas, hospitais, prédios do governo e todas as unidades que poderiam dar suporte ao retorno dos civis. Eles destruíram justamente para que essas pessoas que retornassem às suas cidades não encontrassem nenhum tipo de apoio”, destacou Assi.

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